terça-feira, 10 de abril de 2007
Compondo imagens
Uma sala com teclado e uma tela, música e imagem (ok, além de powermac, interfacer etc etc). O espectador entra e espera que ao tocar o teclado interfira na música, mas na verdade vai editar em tempo real as imagens que aparecem à sua frente. Sao clipes de Sao Petersburgo e Helsinki gravados em mini-dv. De Simo Rouhiainen. Parece o máximo! Chama "Mir" essa obra, de 2003.
"Quasi cinema"
Hélio Oiticica e Neville de Almeida já em 74 propuseram um cinema interativo. Na experiência "Quasi cinema" fizeram a Cosmococa CC5 e a Cosmococa CC3 buscando romper com a inércis do espectador tradicional olhando a tela de uma mesma perspectiva.
A foto é do CC5, o visitante senta numa rede, fica se balancando vendo imagens de Jimi Hendrix projetadas ao mesmo tempo em diferentes paredes enquanto ouve músicas dele na sala. Delícia!
A CC3 era parecida. Areia coberta com vinil e fotos da Marilyn Monroe!

foto em: http://www.fortesvilaca.com.br/artistas/helio_oiticica/
A foto é do CC5, o visitante senta numa rede, fica se balancando vendo imagens de Jimi Hendrix projetadas ao mesmo tempo em diferentes paredes enquanto ouve músicas dele na sala. Delícia!
A CC3 era parecida. Areia coberta com vinil e fotos da Marilyn Monroe!

foto em: http://www.fortesvilaca.com.br/artistas/helio_oiticica/
Cinema-instalacao, Transcinema, video-arte
Tempos de digitalização e novas mídias que possibilitam experimentações nos suportes para imagem, nos formatos de projetar e sonorizar. O cinema contemporâneo não é somente aquele em que o espectador senta e assiste de um mesmo ponto ao filme. Hoje o cinema também é interface, superfície a ser atravessada.
O espectador tem a possibilidade de experimentar sensorialmente imagens, interage. Escolhe um ponto de vista, faz sua própria composição, conecta rede de fragmentos. No transcinema*, o espectador ativa a trama.
Sam Taylor Wood, vídeo-artista, videasta, fotógrafa mais alguns outros créditos, parece ser uma pessoinha invocada. Esse trabalho dela, Pent-Up, me chamou atenção. É uma instalação composta de cinco telas, que projetadas compõem um panorama. Em cada uma, um personagem solitário vive uma situação de angústia. Em alguns momentos parece que os personagens se comunicam. Quem produz esse sentido, essas falas entre os personagens é o espectador, “participador”.
O espectador tem a possibilidade de experimentar sensorialmente imagens, interage. Escolhe um ponto de vista, faz sua própria composição, conecta rede de fragmentos. No transcinema*, o espectador ativa a trama.
Sam Taylor Wood, vídeo-artista, videasta, fotógrafa mais alguns outros créditos, parece ser uma pessoinha invocada. Esse trabalho dela, Pent-Up, me chamou atenção. É uma instalação composta de cinco telas, que projetadas compõem um panorama. Em cada uma, um personagem solitário vive uma situação de angústia. Em alguns momentos parece que os personagens se comunicam. Quem produz esse sentido, essas falas entre os personagens é o espectador, “participador”.
domingo, 21 de janeiro de 2007
In Weiter Ferne, so nah! - Wim Wenders

Assistir a esse filme estando em Berlim é uma experiência diferente nao só por conhecer as locacoes, mas porque entende-se melhor a mente dos alemaes e por consequinte, as referências do filme.
Pelas ruas de Berlim vejo sempre uns loucos falando sozinhos caminhando, gritando. Nao é raro esse tipo por aqui. Posso dizer quase com certeza que toda vez que caminho mais de dez minutos e pego o metrô vejo um desses vagando. O Herr Engel ou Cassiel, protagonista, no momento em que chega ao auge do nao-pertencimento a essa sociedade, quando cai desmaiado no museu num gesto que refere-se ao quadro "O Grito" de Edward Munch - o desespero humano! - me fez ter mais pena ainda desses indivíduos. A história que o roteirista e Wim Wenders criaram para explicar o que se passa na cabeca desses caras é incrível. Certamente um dos propósitos do roteiro foi tocar esse ponto - dos vagabundos malucos do mundo, mas muito especificamente de Berlim. Sempre me pergunto o que leva essas pessoas à margem a tal grau de desligamento de tudo e todos. A robotizacao dessa sociedade era o que me vinha à mente, mas a fantasia de Wim Wenders torna esses sujeitos muito mais interessantes.
Fico imaginando como Wenders chegou a essa idéia de falar de Berlim através de anjos. Claro que a história é muito mais universal, ele nao trata da cidade somente, mas ela é um ponto de partida. Os Schutzengel, anjos de protecao, sao um símbolo daqui e talvez isso possa ter despertado nele, entre outras coisas, a vontade de falar através de anjos...
O filme tem muitas lacunas a serem preenchidas pelo espectador e isso é a maior qualidade dele talvez. Porque espera de quem assiste inteligência.
O maniqueísmo do ser humano é o ponto central. Em volta dele, tudo o que leva a um lado e outro.
O personagem do velhinho motorista é conquistador. E as duas meninas, de onde vieram essas criancas?!
Adorei ver que em uma seqüência Cassiel carrega uma sacola de pano do supermercado PLUS, a mesma que eu carrego nas vezes que vou ao mercado para trazer as compras de volta. Nossa, desde 93 o Plus mantém a mesma marca.
Os movimentos de câmera dispensam comentários, nos momentos que remetem ao olhar do anjo que voa, nossa, incrível! A menina caindo da janela, sensacional!
Nao dá para passar deste plano sem assistir a esse filme!
Ah! Eu acho que o título em português deve ser Tao longe, tao perto!
sábado, 30 de dezembro de 2006
Trilogia das Cores - bleu, blanc, rouge – Krzystof Kieslowski

A Liberdade é azul

A Igualdade é branca

A Fraternidade é vermelha
Talvez seja interessante começar explicando em que condições assisti aos três filmes. Em época das festas de final de ano no inverno berlinense. Em dvd, um a cada dia, ansiosamente. Neguei convites para uma cervejinha para ficar em casa debaixo das cobertas assistindo a essas histórias maravilhosas. Tudo em francês com legendas em alemão.
O meu preferido ainda é o azul, acho. Eu assistia ao filme e a cada plano me surpeendia mais e pensava: nossa, esse cara é um gênio! Meus amigos sempre me falaram do Kiéslowski venerando-o. Por uma questão qualquer infeliz, nunca tinha assistido a nenhum filme dele. Até resolver reverter esse quadro. Uma das felicidades maiores de estar em Belrim certamente é o acesso fácil a quase qualquer filme. Infelizmente, em DVD do Kiéslowski, somente os três mesmo. O resto, VHS. Chato. Mas os três me satisfizeram tanto que só posso estar grata.
Do azul, levo a Juliette Binochett que juntamente com a Gena Rowlands, a musa do John Cassavetes, disputam no meu ranking pessoal o prêmio de melhor atriz. Ela faz cara de nada e a cara de nada dela diz tanta coisa!... Ela é incrível. Mais incrível do que ela talvez os reflexos do lustre azul sobre ela. Marcou bastante. O melhor plano é um que deve ter passado pela maioria despercebido, mas é tão doce! Quando ela entra num café, pede um café e um sorvete e antes de começar a comer derrama um pouco do café quente no sorvete gelado. Me diz muita coisa essa metáfora. E me deu vontade de fazer o mesmo pedido. Nesse filme a questão da musica fica mais presente do que nos outros. E isso é um dos pontos fortes na trilogia e acredito que em todos os filmes do cara. Não sei. Pareceu-me que ele tem uma ligação bem forte com a música.
O branco também é legal e podem me chamar de louca, mas para mim o filme é sobre até que ponto uma paixão pode levar o ser humano. Mais do que sobre movimento imigratórios, ser ou não ser brocha, o amor destrói e reconstrói. Aquela mulher é uma idiota, mas muito real. Totalmente desse mundo.
No vermelho a atriz principal é de uma beleza tão simples e linda! E o velhinho é tão curioso. O estudante de direito não me marcou. Mas só por aquele jipe vermelho, eu casava. Adorei rever todos os personagens no final!
BABEL - dir.: Alexandre González Iñárritu
Ainda estou sob impacto da história e não é preciso muito esforço para as lágrimas voltarem a escorrer pela face. É difícil com tanta emoção fazer uma análise objetiva de Babel. Mas esse texto não se pretende objetivo tampouco uma análise.
O roteiro é composto de quatro histórias paralelas, uma em cada canto do mundo. Não é à toa o título, Babel: não só pela localização espacial mas pelo que move cada núcleo. No fundo o filme é sobre globalização, sobre o mundo estar cada vez menor e como cada um ou cada sociedade reage a isso. Os núcleos obviamente se encontram. Lembra Veneno da Madrugada (dir.: Ruy Guerra) em que há três tramas interligadas. Muita gente anda usando esse recurso de roteiro. Bacana, mas difícil de fazer; quando dá certo é lindo. Embora a junção das histórias em Babel seja meio forcada. Lembrou-me aquela brincadeira de que você conhece o mundo inteiro a partir de três pessoas. Cada uma das quatro histórias é completa e nao importa se a ligacao entre elas é perfeita. A compreensao dos problemas a que o filme se refere e consegue estabelecer, basta. Quem procura por lógica talvez nao fique satisfeito.
No Japão, a protagonista é uma menina que deve ter seus dezesseis anos. Ela é muda o que permite-lhe uma observação do mundo bem peculiar. Um detalhe que nos faz sentir mais pena dela ainda. Tem uma história difícil, viu a mãe se suicidar e daí degringolam seus problemas, parece. Sente-se sozinha. O tema desse „núcleo“ é a solidão. Sinto-me mal de chamar de núcleo, porque parece que estou falando de novela! Bem, o caso é que a menina está perdida. Ela quer dar de qualquer jeito, mais do que isso, quer um relacionamento. Tem sentimento mais universal e atual do que esse? O que todos procuram no meio desse caos de vida nao é isso, um porto seguro?
No Marrocos, um casal de turistas viaja pelo deserto. A mulher não gosta de estar ali. Não gosta de se deparar com a sujeira, a miséria que na verdade é o mundo. Não está acostumada a ver isso. Ela gosta de beber coca-light, jogar tênis, ir ao teatro. O marido parece preferir destrinchar um pouco o que há nesse mundo. No ônibus que leva eles e mais outros turistas do primeiro mundo para passear, ela leva um tiro. A esmo.
Quem deu o tiro foi uma criança dali. Que ganhou a arma do pai para matar cabras e resolveu brincar com o irmão na montanha.
Vemos de tudo ali: a falta de solidariedade e o individualismo do primeiro mundo e por outro lado a solidariedade do terceiro, quarto mundo, quinto. A paranóia do terrorismo, a ignorância.
No último núcleo, os filhos do casal e sua babá, imigrante mexicana que está tomando conta deles na ausência dos pais viajantes. Ela atravessa a fronteira para o México com eles para ir ao casamento do filho. Tão perto, parece durar menos do que duas horas de carro o trajeto guiado pelo motorista, Gael García Bernal. Que homem, gente! Curto e complicado o caminho. Na volta para casa, as crianças e a babá se vêem por paranóia das autoridades perdidos no deserto. Quase morrem, no fim a babá é deportada apesar de viver há mais de dez anos nos EUA!
VAMOS ABRIR AS PORTAS DESSE MUNDO!!! Dá vontade de criar esse movimento por aí. Um certo resquício ariano isso de fronteiras. A desigualdade é afinal culpa de alguém ou de todos? Ninguém soube responder.
Ficha técnica e tudo mais vocês podem googlar para saber.
O roteiro é composto de quatro histórias paralelas, uma em cada canto do mundo. Não é à toa o título, Babel: não só pela localização espacial mas pelo que move cada núcleo. No fundo o filme é sobre globalização, sobre o mundo estar cada vez menor e como cada um ou cada sociedade reage a isso. Os núcleos obviamente se encontram. Lembra Veneno da Madrugada (dir.: Ruy Guerra) em que há três tramas interligadas. Muita gente anda usando esse recurso de roteiro. Bacana, mas difícil de fazer; quando dá certo é lindo. Embora a junção das histórias em Babel seja meio forcada. Lembrou-me aquela brincadeira de que você conhece o mundo inteiro a partir de três pessoas. Cada uma das quatro histórias é completa e nao importa se a ligacao entre elas é perfeita. A compreensao dos problemas a que o filme se refere e consegue estabelecer, basta. Quem procura por lógica talvez nao fique satisfeito.
No Japão, a protagonista é uma menina que deve ter seus dezesseis anos. Ela é muda o que permite-lhe uma observação do mundo bem peculiar. Um detalhe que nos faz sentir mais pena dela ainda. Tem uma história difícil, viu a mãe se suicidar e daí degringolam seus problemas, parece. Sente-se sozinha. O tema desse „núcleo“ é a solidão. Sinto-me mal de chamar de núcleo, porque parece que estou falando de novela! Bem, o caso é que a menina está perdida. Ela quer dar de qualquer jeito, mais do que isso, quer um relacionamento. Tem sentimento mais universal e atual do que esse? O que todos procuram no meio desse caos de vida nao é isso, um porto seguro?
No Marrocos, um casal de turistas viaja pelo deserto. A mulher não gosta de estar ali. Não gosta de se deparar com a sujeira, a miséria que na verdade é o mundo. Não está acostumada a ver isso. Ela gosta de beber coca-light, jogar tênis, ir ao teatro. O marido parece preferir destrinchar um pouco o que há nesse mundo. No ônibus que leva eles e mais outros turistas do primeiro mundo para passear, ela leva um tiro. A esmo.
Quem deu o tiro foi uma criança dali. Que ganhou a arma do pai para matar cabras e resolveu brincar com o irmão na montanha.
Vemos de tudo ali: a falta de solidariedade e o individualismo do primeiro mundo e por outro lado a solidariedade do terceiro, quarto mundo, quinto. A paranóia do terrorismo, a ignorância.
No último núcleo, os filhos do casal e sua babá, imigrante mexicana que está tomando conta deles na ausência dos pais viajantes. Ela atravessa a fronteira para o México com eles para ir ao casamento do filho. Tão perto, parece durar menos do que duas horas de carro o trajeto guiado pelo motorista, Gael García Bernal. Que homem, gente! Curto e complicado o caminho. Na volta para casa, as crianças e a babá se vêem por paranóia das autoridades perdidos no deserto. Quase morrem, no fim a babá é deportada apesar de viver há mais de dez anos nos EUA!
VAMOS ABRIR AS PORTAS DESSE MUNDO!!! Dá vontade de criar esse movimento por aí. Um certo resquício ariano isso de fronteiras. A desigualdade é afinal culpa de alguém ou de todos? Ninguém soube responder.
Ficha técnica e tudo mais vocês podem googlar para saber.
Cena 1. Int./Quarto/ Escrivaninha
O objetivo deste espaco é falar de filmes. Dos que estao em cartaz, dos que nao estao, enfim, de todos que a mim chegam. Curtas e longas. Para deixar registrado o que pensei de cada um e lembrar a mim mesma das histórias. Textos bem pessoais. Um exercício divertido.
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